quinta-feira, 12 de março de 2015

Na mira da PF, Roseana voltará ao Brasil, diz advogado

João Abre era chefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney (acima). Foto: Márcio Fernandes/Estadão

As revelações de Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato,motivaram a abertura de 25 inquéritos para investigar 22 deputados e 12 senadores, por ordem do Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira, 6. Segundo os delatores, os parlamentares receberam propinas do esquema de corrupção que assolou a estatal. Ex-parlamentares também são alvos da grande investigação decretada pelo ministro Teori Zavascki, que acolheu representação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Segundo o ex-diretor, o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, foi quem solicitou R$ 2 milhões, destinados à campanha de Roseana ao governo do Estado em 2010. O valor, afirma Costa, foi pago em espécie via Youssef. A ex-governadora e Lobão serão investigados pelo Supremo.

O dinheiro, diz o delator, teria saído de contratos da Petrobrás. O ex-diretor não indicou de maneira específica o contrato do qual saíram os valores. Segundo ele, existia uma espécie de caixa de propina, administrada por Youssef, de onde o dinheiro supostamente entregue à ex-governadora teria sido retirado.

Lobão. Foto: Beto Barata/Estadão
Costa afirmou que Youssef era responsável por controlar esses pagamentos. O dinheiro movimentado pelo “caixa” era todo em espécie. O ex-diretor disse que o valor entregue a Roseana saiu da parte do PMDB na divisão do percentual da diretoria de abastecimento, do 1% a que “fazia jus”.

O ex-diretor afirmou ainda que conheceu Roseana em razão da obra da Refinaria Premium I, em Bacabeira, região metropolitana de São Luís. Costa é o primeiro delator da Lava Jato. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar no Rio.

COMA A PALAVRA, ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro que defende o senador Edison Lobão e a ex-governadora Roseana Sarney negou as acusações. Segundo ele, Roseana conhece o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa pessoalmente, e Lobão nunca pediu propina a ele. Todos os encontros que Costa e Roseana tiveram, afirma Kakay, foram institucionais.

“Ele (Costa) esteve no Estado alguma vezes, esteve junto do presidente (na época, Lula), de ministros. Todos os contatos, sem exceção, foram institucionais, inauguração, almoços formais. Estavam em público todas as vezes que se encontraram”, afirma.

“O depoimento do Paulo Roberto insinua sobre a Roseana. Delator, via de regra, tem caráter extremamente maleável, então, os depoimentos costumam ser maleáveis. O Costa é um corrupto de mais de 20 anos de experiência. É de uma hipocrisia. Mais hipócrita que o (ex-gerente da Petrobrás Pedro) Barusco, que é um ator de Hollywood. A Roseana está morando em Miami. Vai deixar o curso, para voltar ao Brasil e se colocar à disposição do Supremo. Ela está perplexa.”

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