segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sem saída para a crise, Dilma muda de assunto



Num instante em que as ruas rosnam para o governo e 63% dos brasileiros defendem o seu impeachment, Dilma Russeff tenta mudar de assunto. Tendo esgotado o seu arsenal de truques para simular respostas ao asfalto, a presidente decidiu se insurgir contra um tema duro de roer: a proposta de emenda constitucional que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. “Sou contra”, anotou Dilma nas redes sociais, o habitat natural da rapaziada.

A posição da presidente é corajosa. As estatísticas mostram que a grossa maioria dos brasileiros deseja o encarceramento de menores. A despeito disso, do alto de sua impopularidade, Dilma anotou: “Reduzir a maioridade penal não vai resolver o problema da delinquência juvenil.'' Ou: “Lugar de meninos e meninas é na escola.” Dilma tem razão. Mas isso deixou de ser relevante.

Enfraquecida, Dilma foi desligada da tomada por parte dos seus aliados. Empinada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a emenda da redução da maioridade tem chances de ser aprovada. Como se trata de um ajuste na Constituição, não estará submetido ao poder de veto da presidente. Caberá ao presidente do Congresso, Renan Calheiros, promulgá-la.

Alvejados por inquéritos no STF, Eduardo Cunha e Renan Calheiros ditam a pauta nacional. Escolhem temas de grande repercussão. No caso da maioridade penal, a posição da sociedade é ditada pelo medo, não pela racionalidade. E o medo, como se sabe, é capaz de juntar as pessoas em assembleias, em comícios, em maiorias, em unanimidades. Cunha e Renan buscam o aplauso fácil dessa multidão. Do seu ponto de vista deles, o ideal é que Dilma continue frequentando a cena política como uma presidente monotemática, restrita à crise.

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