quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cerveró diz que Lula e Dilma o convidaram para Petrobras e nega ligação com o PMDB




SÃO PAULO — O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou, em depoimento à Justiça Federal na tarde desta terça-feira, que foi convidado para o cargo pelo então presidente Lula e a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Ele negou qualquer indicação política do PMDB e se disse mais próximo ao PT. Até o momento, os investigadores da força tarefa da Operação Lava-Jato afirmam que o ex-diretor atuou como o braço do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras. É a primeira vez que Cerveró fala sobre como chegou à direção da estatal em 2003.

— Senhor Paulo Costa que foi ouvido no processo mencionou que ele assumiu a Diretoria de Abastecimento numa indicação política do Partido Progressista. Afirmou também que o senhor Renato Duque seria uma indicação política do Partido dos Trabalhadores e mencionou que o senhor seria uma indicação política do PMDB — afirmou Moro sendo interrompido por Cerveró:

— Não sou uma indicação política do PMDB — retrucou.

Moro então questiona:

— O senhor pode me esclarecer como que o senhor assumiu o cargo de diretor?

— Eu assumi o cargo de diretor atendendo um convite do presidente Lula e da ministra Dilma de Minas e Energia — afirmou, ele dizendo que foi indicado pelo seu conhecimento acumulado na estatal.

O juiz voltou a questionar se o PMDB tinha ou não alguma influência política na sua escolha. Cerveró negou e disse:

— Havia uma ligação mais próxima ao Partido dos Trabalhadores.

Cerveró assumiu a direção da Petrobras em 2003 e ficou no cargo até março de 2008. O ex-diretor é acusado de ter recebido vantagem indevida de milhões de dólares para favorecer a contratação, em 2006 e em 2007, da empresa Samsung Heavy Industries Co para fornecimento de navios sondas de perfuração de águas profundas. Ele também é suspeito de ter lavado dinheiro com a compra de um apartamento em Ipanema e de um carro de luxo.

O interrogatório é a fase final da ação que investiga uma suposta ocultação por parte de Cerveró de um apartamento em Ipanema. O MPF denunciou o ex-diretor por usar uma offshore no Uruguai esconder a negociação. O ex-diretor negou ser proprietário do imóvel, mas teve grande dificuldade para explicar ao juiz Sérgio Moro como foram as negociações e sua participação no caso.

Avaliado atualmente em R$ 7,5 milhões, o apartamento foi confiscado pela Justiça Federal. Segundo Cerveró, o imóvel era de propriedade de uma empresa uruguaia, a Jolmey, e foi adquirido por R$ 1,5 milhão, com a intermediação do empresário uruguaio Oscar Algorta.

— Os investidores tiveram um grande lucro no negócio. Compraram o apartamento por R$ 1,5 milhão, gastaram R$ 700 mil na reforma, e hoje ele vale R$ 7,5 milhões. Já chegou a valer até R$ 9 milhões — disse Cerveró, negando que o apartamento fosse dele e que a uruguaia Jolmey, uma offshore, fosse de sua propriedade.


Em fevereiro, o juiz Moro aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra Cerveró e Algorta, por lavagem de dinheiro. Essa empresa uruguaia seria utilizada para receber recursos ilícitos do ex-diretor da Petrobras e a Justiça suspeita que o negócio foi de fachada. Segundo Cerveró, ele pagou aluguel regular pelo imovel de 2009 a 2011.

Durante o depoimento, Cerveró reclamou que estava sem dinheiro porque o juiz Sérgio Moro determinou o bloqueio de suas contas.

— Estou sem receita. Com esse parco salário que o senhor me deixou. O senhor bloqueou tudo.


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