domingo, 29 de maio de 2016

Aonde vamos parar?



Vivemos os dias como se tivéssemos assistindo a uma extensa novela. Dessas que vira sucesso nacional, que prende a atenção de toda uma população de expectadores, e que no seu enredo não fica nenhuma dica do que vai acontecer na semana seguinte. O que se percebe apenas é que a trama vai ficando cada dia mais cativante para alguns e enojada para outros, mas mesmo assim, cativante. Neste novelão tem um diferencial: os bons-moços aos poucos vão se mostrando verdadeiros bandidos. Temos assistido, sem querer, dia após dia o cinismo escancarado na face de nossos políticos. Cai um após outro. E da forma mais desavergonhada possível, pilhados na mentira, nas artimanhas, nas tramoias, às escondidas, ou quase. Pois apesar de suas espertezas, nesse mundo há sempre uns mais espertos do que certos engravatados que se acham acima das leis. Daí que tem sempre um corrupto armando pra cima de uma autoridade. O exemplo estamos vendo aí: gravações que comprometem alguns políticos de polidos sapatos. O pior é que incrédulo, boquiaberto, e completamente abestalhado, o povo assiste a tudo e a todos sem saber como estancar essa sangria da falta de ética e moral. As denúncias aos nossos protagonistas surgem como navalhas, ou como metralhadora ponto 100, conforme falou José, a cortarem a carne dos que cumpliciaram com o nosso jeito amigável de fazer política. Diante de tamanha incerteza, de como vai terminar esse novelão, e de como serão os próximos capítulos, só nos cabe uma pergunta: aonde vamos parar?

A vez de Sarney

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imagem ilustrativa, não corresponde com o caso
Enfim o ex-Presidente José Sarney também caiu no tão atual, e tão antiético também, modo de ter um político sob a mira das delações premiadas. O que tem se visto é digno dos canalhas, valer-se da amizade, da consideração, e gravar uma conversa com outrem. Pois foi assim que Sarney também teve sua conversa com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado gravada por este. Na gravação, o ex-presidente afirma que a delação do executivo Marcelo Odebrecht é “metralhadora ponto 100”, numa analogia ao potencial destrutivo das revelações do empreiteiro. Sarney, na gravação, ainda prometeu ajudar o ex-executivo, que é alvo da Operação Lava Jato, a evitar que seu caso fosse transferido para a vara do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, "sem advogado no meio". Sarney também diz que o presidente em exercício Michel Temer fez um acordo com o Congresso para poder assumir a Presidência. "Nem Michel eles queriam", disse o ex-presidente. "Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições." O que vai acontecer a partir destes novos episódios, ninguém sabe...


Estranha coincidência...

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imagem ilustrativa
Um amigo leitor da Coluna nos contou um fato no mínimo curioso. Na última sexta-feira à noite, na hora do Jornal Nacional, exatamente no instante em que era veiculada a notícia do envolvimento do ex-presidente Sarney na delação do ex-senador Sergio Machado, o sinal da TV começou a tremer e fugir a imagem, como se ali tivesse a interferência de alguém que não quisesse a divulgação na íntegra da reportagem. Ficou estranho, afirmava o amigo leitor. Pelo sim, pelo não, o certo é que pareceu uma estranha coincidência logo naquele dia, naquela hora e exatamente de quem se tratava a reportagem.

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