sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Entenda o caso no qual Feliciano é acusado de tentativa de estupro

feliciano

Carta Capital crédito

Desde que veio à tona na semana passada, o caso da estudante de jornalismo Patrícia Lélis, que acusa o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) de tentativa de estupro e agressão, está envolto em controvérsias e polêmicas. A versões se contradizem e ainda há muito a ser investigado pela polícia. Veja o que se sabe até aqui:

Qual é a principal acusação contra Marco Feliciano (PSC-SP)?

A jovem de 22 anos Patrícia Lélis acusa Feliciano de tentar estuprá-la. O crime, de acordo com o boletim de ocorrência registrado no 3o DP da Polícia Civil, no centro de São Paulo, teria ocorrido na manhã de 15 de junho. Segundo Patrícia, o deputado a havia convidado para uma reunião em seu apartamento funcional em Brasília.

Quando chegou lá, Feliciano estava sozinho e teria dito que desejava conversar com ela a sós. Segundo afirmou Patrícia, o parlamentar propôs que ela fosse sua amante em troca de um salário de 15 mil mensais para ocupar uma posição dentro do partido. “Ele tentou me arrastar para o quarto e tirar meu vestido. Como eu resisti, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, disse Patrícia ao jornalO Estado de S. Paulo. Ela disse só ter conseguido escapar quando uma vizinha ouviu seus gritos e tocou a campainha para saber o que estava ocorrendo.

Quem é a estudante que o acusa?

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Patrícia diz ter sido agredida pelo parlamentar em seu apartamento
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon / Agência Brasil)
Patrícia Lélis tem 22 anos e é estudante de jornalismo. Filiada ao Partido Social Cristão (PSC) desde março, é conhecida no YouTube por ser conservadora, religiosa e anti-feminista.

Além das acusações contra Feliciano, quem mais está envolvido?

No boletim de ocorrência que Patrícia fez na sexta-feira dia 5 constam nomes como o de Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano, Emerson Biazon, assessor do Partido Republicano Brasileiro (PRB), e do pastor Everaldo, presidente nacional do PSC. Patrícia conta que Bauer tentou comprar o seu silêncio, assim como o pastor Everaldo, que teria oferecido dinheiro para que não denunciasse Feliciano. "Bauer ofereceu dinheiro para eu ficar quieta e também o pastor Everaldo. Não sei estimar a quantia, porque estava dentro de um saco", explicou em entrevista coletiva na segunda-feira 8, ao confirmar o áudio que circulou no fim de semana sobre a conversa que teve com o assessor de Feliciano. "Dentro de um partido que defende que o criminoso seja punido, eu achei que fossem ajudar e tomar as medidas cabíveis junto comigo. Mas não foi bem assim."

Segundo a jovem, Biazon a convidou para uma viagem para São Paulo com todas as despesas pagas. “Ele me ofereceu emprego na Record de Campinas, onde tinha contatos'', disse a jovem à coluna Esplanada, do portal UOL. À coluna, Patrícia relatou que Biazon a havia levado para o hotel San Raphael, no Largo do Arouche, onde a esperava Bauer. Patrícia acusa Bauer de mantê-la em cárcere privado no hotel. 

O que diz Feliciano?

Ao lado da mulher Edileusa, Feliciano gravou um vídeo no sábado 6 no qual buscou desmentir as acusações. “A justiça dos homens inúmeras vezes me inocentou, mesmo depois de eu ter sido escrachado publicamente”, afirmou. “Como não conseguem nunca me pegar em nada nesse País, não sou corrupto, não sou uma pessoa má, agora tocaram no meu moral. Mas tenho certeza que a justiça vai vir à tona.” 

O deputado do PSC, entusista de projetos como “cura gay” ou “castração química para estupradores”, fez ainda um apelo ao público para que não o “condenem antes do tempo” e disse perdoar Patrícia. “Embora eu esteja com o coração quebrado e machucado, com a minha família sofrendo, eu não vou julgar essa moça, eu perdoo ela. Embora eu espere que ela seja responsabilizada pela falsa comunicação do crime, eu perdoo.” 

Se a jovem fez as acusações e a denúncia formal, o que falta para a detenção de Feliciano e os outros envolvidos?

Alguns pontos do caso ainda não estão esclarecidos. Por exemplo, por que a jovem aceitou o convite para ir para São Paulo ou por que gravou vídeos posteriores no qual desmentia as acusações contra Feliciano. Ao mesmo tempo, não fica claro como Bauer chegou ao hotel no Arouche – Patrícia diz no BO que foi obrigada a passar o endereço do San Raphael para ele ao telefone, sob ameaça de que ele mataria seus parentes. Imagens da câmera de segurança, por sua vez, mostram Patrícia abraçando Bauer quando o encontra no momento do check in. Patrícia conta que Bauer estava no hotel armado e a obrigou fazer vídeos desmentindo toda a história.

Como seguem as investigações? 

Se antes acatava a tese de sequestro e cárcere privado, o delegado Luis Roberto Faria Hellmeister hoje crê que Patrícia mentiu sobre os dias em São Paulo. O BO da sexta-feira 5 fala nos crimes de tentativa de estupro, coação no curso do processo. e sequestro e cárcere privado, agora descartada pelo delegado do 3º DP. “Já descartei. Qualquer ser de inteligência mediana entende que isso não aconteceu. Poxa, comeram no Boi na Brasa, no Gato que Ri. Ela foi ao shopping e gastou 700 reais em maquiagem. Que cárcere privado é esse? Eu jogo 40 anos de polícia na privada se não for isso o que estou dizendo”, contesta Hellmeister ao garantir que o esteve hospedado com Patrícia o seu então namorado, Rodrigo Simonsen. 

O delegado revela prints de uma troca de mensagens de um celular que seria de Biazon. Na conversa com Patrícia, o dono do aparelho parece falar sobre valores a serem negociados com uma terceira pessoa. “Ela veio para São Paulo receber dinheiro, e eu estou puto porque acreditei na sua primeira versão”, se martiriza Hellmeister. 

Além do 3º DP da Polícia Civil de São Paulo investigam o caso a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, na Asa Sul de Brasília, onde Patrícia também fez um boletim de ocorrência, e a Procuradoria Geral da República que entra na história para pedir à Polícia Legislativa as imagens de vídeos das câmeras instaladas no prédio, corredores e elevadores onde mora o parlamentar. 

Quais os próximos passos no caso? O parlamentar pode ser afastado ou punido?

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora especial da Mulher no Senado, protocolou junto ao Ministério Público do Distrito Federal um ofício no qual solicita que Feliciano seja investigado pela suposta tentativa de estupro. “A denúncia é mais um caso de assédio sexual, praticado por figura tida como zelador de direitos e garantias individuais, e mais uma demonstração do cenário machista que compõe nosso parlamento e sociedade. O grave relato da estudante que foi pressionada a sair de Brasília evitando um escândalo precisa ser investigado e a culpa atribuída ao autor do fato”, escreveu a senadora no documento.


Além disso, a cúpula do PSC determinou a criação de uma comissão interna para apurar a suposta acusação de assédio sexual e agressão. A comissão será formada pelo 1º-vice-presidente do PSC, Marcondes Gadelha, pela presidente do PSC Mulher, Denise Assumpção, e um integrante do PSC Jovem e ainda não tem prazo definido para apresentar o resultado da sindicância.

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