quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Quadrilha de tráfico humano fez pelo menos 150 vítimas no Ceará

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Desde 2010, pelo menos 150 pessoas foram vítimas de uma organização criminosa internacional, especializada no tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, no Ceará. O grupo foi desarticulado na manhã de ontem, durante a Operação Marguerita, realizada pela Polícia Federal (PF) no Brasil, na Itália e na Eslovênia, de forma simultânea. Parte das vítimas foi resgatada de boates na Europa. No total, 15 pessoas foram presas, entre cearenses e europeus. 

A operação contou com o apoio da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e de agentes da PF em Roma, responsáveis por libertar as vítimas. Até o fechamento desta matéria, a quantidade de pessoas resgatadas não havia sido divulgada. Foi informado, porém, que todas são mulheres e algumas estavam sendo trazidas de volta ao Brasil.

Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, 13 de busca e apreensão e 18 de condução coercitiva, nos estados do Ceará, Bahia, Minas Gerais e São Paulo, além dos dois países europeus. Os despachos foram expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal no Ceará.

Entre os 15 presos, cinco são europeus e dez são cearenses. Com exceção das prisões de três brasileiras na Itália, que atuavam como aliciadoras do grupo, as 12 demais pessoas foram localizadas em Fortaleza. Sete são cearenses e cinco são estrangeiros (três eslovenos e dois italianos). Todos foram levados para a carceragem da PF, no bairro Aeroporto.


Agências de viagem


Os nomes dos presos não foram divulgados. O POVO apurou, porém, que um dos alvos foi o empresário italiano Marco Paolo Vila, da agência Fortaleza Viagens, localizada no Meireles. Ele seria um dos facilitadores do esquema. O POVO entrou em contato com a empresa para ouvir algum responsável. Os funcionários, porém, afirmaram que não tinham autorização para dar qualquer informação.

Proprietários e funcionários de outras agências de viagem também foram alvos da PF. Conforme a delegada Juliana Pacheco, coordenadora da operação, era por meio dessas empresas que a quadrilha de aliciadores costumava agir. “Eles realizavam o recrutamento, transporte, ficavam responsáveis pelas viagens para o exterior, acolhimento, alojamento e exploração sexual das vítimas nos países de destino”, diz.

Conforme a delegada, que é titular da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst), por ano, cerca de 25 pessoas eram traficadas para a Europa. Todas eram aliciadas no Brasil e levadas para a Europa a partir de Fortaleza.

Os presos foram indiciados por crime de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A pena prevista pode alcançar 25 anos de reclusão.

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