sábado, 1 de julho de 2017

Laudo médico diz que bebê baleado na barriga da mãe está paraplégico



RIO — Um laudo médico relata a presença de fragmentos ósseos na medula do bebê que foi baleado dentro da barriga da mãe, em Duque de Caxias, indicando que a criança está paraplégica. O estado de saúde ele é considerado gravíssimo.

A bala atravessou o corpo de Claudineia e encontrou o do bebê, que estava no nono mês de gestação. A mãe tem quadro estável, segundo informações do Hospital Municipal Dr. Moacir Rodrigues do Carmo,

Claudineia, que é de João Pessoa, na Paraíba, está lúcida, mas muito abatida. Ainda assim, durante a visita das primas, na tarde deste sábado, pediu informações sobre o estado de saúde do filho.

— Ela quer que a gente a mantenha informada — contou Guiomar Gomes, amiga de Claudineia, que, após gestação tranquila, se preparava para receber Arthur, nos próximos dias, por parto normal.

— Ela disse que foi tudo tão rápido que nem sentiu quando foi atingida. Sempre foi o sonho de Claudineia ser mãe. Ela não merecia isso — desabafou a prima Isabel Sousa.

Ferida, Claudineia foi levada por moradores da favela para o hospital municipal. O menino, teve uma lesão grave no tórax, fratura de clavícula, traumatismo craniano e permanece na UTI neonatal do Hospital Adão Pereira Nunes, para onde foi transferido na noite de sexta-feira. A bala entrou pelo ombro direito e saiu pelo tórax.

Klebsom Cosme da Silva, de 27 anos, pai do bebê, afirmou estar mais preocupado com a saúde do filho e da esposa, do que com os culpados pelo acontecido. O casal mora há um ano e meio na Favela do Lixão.

— Morando em comunidade, a gente sabe como é. Mas prefiro não falar muito sobre isso. Não quero saber quem atirou, só quero que a minha mulher e o meu filho fiquem bem. É uma preocupação dupla, mas tenho fé que eles vão ficar bem — torce o conferente de um frigorífico, que garantiu nunca ter sido vítíma de violência até então.

A 59ª DP (Duque de Caxias) instaurou um procedimento para apurar as lesões corporais sofridas pela grávida. Os agentes da Unidade estão procurando possíveis testemunhas e imagens de câmeras de segurança que possam ajudar na apuração dos fatos e outras demais diligências.

De acordo com o relatos dos PMs do 15º BPM (Duque de Caxias), no momento em que a mulher foi atingida, havia uma operação na favela. Os agentes contam que estavam numa viatura na Rua Frei Fidélis, um dos acessos à Favela do Lixão, quando “traficantes dispararam em direção aos militares”. Segundo os policiais, em consequência desses disparos, Claudineia foi atingida, por estilhaços, na coxa esquerda. Os policiais afirmaram não ter reagido ao ataque.



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