sábado, 9 de dezembro de 2017

A população vai dizer quem eu sou”, diz principal suspeito de matar Nenzin



“Só falo na presença dos advogados. A população vai dizer quem eu sou”. Essas foram as palavras de Mariano Júnior ao chegar em São Luís, algemado, via helicóptero na manhã desta sexta-feira (8) e desembarcar na sede da Secretaria de Segurança Pública. Mariano Jr., conhecido como Júnior Nenzin, é filho do ex-prefeito de Barra do Corda e principal suspeito de assassinar o pai, Nenzin, com um tiro no pescoço na última quarta-feira (6). Após ser apresentado na Secretaria, Mariano foi encaminhado para o Centro de Triagem do Complexo Penitenciário São Luís (antigo Complexo de Pedrinhas), onde está preso. As investigações policiais apontam que o roubo de gado do pai teria sido a principal motivação para o assassinato.

O tiro que matou Nenzin teria saído de dentro do interior do veículo onde ele estava com o filho, de acordo com o Secretário de Segurança do Maranhão, Jefferson Portela. Ele dá detalhes do crime. “O tiro partiu de um revólver calibre 38, no interior do veículo. Nós vamos definir, porque assim, saíram da casa só os dois. Não havia terceira pessoa no momento da saída. Para um estranho é impossível prever a parada para uma necessidade fisiológica. Só se tivesse alguém no local previamente combinado, que aí também teria participação com uma parada para esta finalidade. Mas quem saiu com ele, com o pai, foi exatamente o Mariano Júnior”, contou Portela. O mandado de prisão para Mariano Jr. foi expedido na noite da quinta-feira (7).

A principal prova de participação de Júnior no crime são imagens obtidas do circuito de videomonitoramento de uma casa do condomínio Moradas do Rio Corda.

As imagens mostram o momento em que ele passa com o pai numa caminhonete, rumo ao sentido final da avenida, onde ele alega ter acontecido o atentado.

Em um primeiro depoimento prestado à polícia, Mariano Filho, o Júnior Nenzin, afirmou que teria parado o veículo para que o pai descesse e fizesse suas necessidades fisiológicas. Nesse momento, então, ele teria sido alvejado com um tiro que, segundo o suspeito, teria sido disparado de longe. No entanto, resultados obtidos pela perícia indicam que o tiro foi disparado a cerca de 15 cm de distância do ex-prefeito e que ele não teria descido do carro. “A vítima saiu de casa por volta de 6h15 da manhã. E às 7h03, que é um horário referência do disparo contra a vítima, foi constatado pelo posicionamento do cidadão dentro do carro que ele não desceu do veículo, que parou na contramão, algo estranho para quem vai descer do carro como passageiro”, acrescenta o Secretário de Segurança, Jefferson Portela.

Na lista de evidências contra Mariano Jr., acrescenta-se o fato de que o delegado regional teria orientado que seu carro fosse preservado para a realização da perícia criminal, e ao contrário disso, Mariano Jr. fez com que o carro fosse lavado e os bancos retirados e limpos. O executor da limpeza também foi preso, acusado de destruição de provas.

Motivação

Segundo o delegado de Barra do Corda, Renilton Ferreira, Mariano Júnior, conhecido como “Júnior Nenzin”, preso nesta manhã por suspeita de envolvimento no assassinato do próprio pai, teria participado do crime por questões financeiras relativas à herança e furto de gado cometido por ele.

No dia em que o ex-prefeito foi assassinado, seria feita a contagem das cabeças de gado da fazenda de propriedade da família, onde Mariano Sousa perceberia o roubo do rebanho. Em uma das fazendas deveria haver 635 cabeças de gado. No entanto, apenas 81 bois teriam restado no local.

ENTENDA

Mariano Souza, o “Nenzin”, foi assassinado com um tiro no pescoço enquanto fazia caminhada junto com o filho suspeito de envolvimento no assassino, num loteamento próximo ao Moradas do Rio Corda.

Depois de ser atingido, o pai, Mariano Sousa, teria caído nos braços do filho e teria gritado, antes de morrer, “Mariano”.

Com o pai baleado dentro do veículo, Mariano teria seguido para casa do amigo advogado em busca de socorro.

“Essa versão já nos causou estranheza”, diz o delegado. “Só depois de ir na casa desse amigo, Júnior Nenzin afirmou que levou o pai para uma UPA”, explica.

A versão, no entanto, não bate com as imagens obtidas nas câmeras.

De acordo com o delegado, segundo as imagens, cerca de dez minutos depois do possível disparo, a caminhonete novamente aparece dando voltas na rua, durante 40 minutos, em sentido contrário à BR que liga o local à UPA da cidade. “Isso demonstra que Júnior Nenzin não prestou socorro imediato ao pai, como ele alegou”, afirma Renilton Ferreira.

Segundo uma linha de investigação da polícia, as voltas dadas pelo suspeito seriam para aguardar que o ex-prefeito perdesse os sinais vitais antes de chegar à UPA.

COMOÇÃO

A morte do ex-prefeito causou grande comoção no meio político e também na população do município.

O corpo de Nenzin foi velado durante toda a madrugada desta quarta-feira, em sua residência, em Barra do Corda e foi acompanhado de uma multidão de amigos. O enterro aconteceu no fim da tarde desta quinta-feira (7), no cemitério São Francisco, em Barra do Corda.

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