sexta-feira, 25 de maio de 2018

Greve dos caminhonheiros: reajuste de preços agora é em tempo real, como nos tempos de hiperinflação

Preços subiram tanto que, em um hortifruti na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, a atendente fica circulando com a lista de preços para informar aos clientes
Os consumidores que procuram os hortifrutis no Rio na manhã nesta sexta-feira voltam a encontrar prateleiras vazias e preços exorbitantes. Por causa da baixa oferta, em função da greve dos caminhoneiros, os valores estão sendo atualizados o tempo todo. Alguns clientes se sentem como nos tempos da inflação fora de controle.

Em um hortifruti no Flamengo, na Zona Sul do Rio, o caminhão chegou praticamente vazio. Apenas pequenas quantidades foram entregues. No interior da loja, uma funcionária circula com uma lista com os preços atualizados para informar aos clientes, já que as mercadorias estão sendo reajustadas pela gerência.

O quilo da batata, por exemplo, passou de R$ 2,79 para R$ 11. A cliente Paula Lockmann desistiu de levar o pimentão verde, à venda por R$ 12,99.

— Está parecendo o tempo da hiperinflação, em que os funcionários ficavam com as maquininhas reajustando os preços. Estão aumentando tanto que não colocaram nem as plaquinhas com os valores atuais.

Para driblar os aumentos, o jeito foi mudar o cardápio:

— Não dá para pagar R$ 13 pelo pimentão. Vou aproveitar que está frio para fazer sopa de abóbora — disse a empresária, de 40 anos.

Em outras prateleiras, mais absurdos. O molho de coentro passou de R$ 1,69 para R$ 5. O abacaxi, que custava R$ 6,99, está à venda por R$ 14. O tomate, que custava de R$ 5, 99 a R$ 6,99 (o quilo), de acordo com o tipo, agora tem preço único: R$ 14,99.

A professora Edna Coelho, de 69 anos, voltou para casa sem encontrar alface e cenoura, mas comprou outras mercadorias no hortifruti:

— O pior é que a mercadoria disponível está ruim, porque não estão repondo como antes. Espero que isso se normalize logo.

De acordo com o gerente de outro hortifruti no Flamengo, a previsão é que as entregas se normalizem até este sábado. No interior da loja, os clientes não encontram mais cenouras, cebolas ou verduras.

Consumidores também perceberam a ausência de carnes e lacticínios nos pequenos negócios da região. Mas, na manhã desta sexta-feira, alguns caminhões já são vistos entregando as encomendas a hortifrutis e mercados pequenos da Zona Sul.

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